Apesar da virada de ano, parece que as preocupações com as tarifas na logística não ficaram em 2025. Cerca de 47% dos líderes globais esperam que as barreiras — tarifárias ou não-tarifárias — aumentem em 2026, enquanto 43% prevem que fiquem no mesmo nível do ano anterior. Esses dados são resultados das respostas de 3,5 mil executivos seniores de Supply Chain e logística para o Global Trade Observatory (GTO) Annual Outlook Report 2026 da DP World.

Essa questão pode afetar diretamente as exportações brasileiras, já que 56% dos entrevistados da América do Sul citam as tarifas como o principal risco para os negócios. De acordo com a pesquisa, isso reflete a dependência da região dos mercados dos Estados Unidos e de setores impactados pelas tarifas norte-americanas em 2025.

Em setembro do ano passado, por exemplo, a Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística (NTC&Logística), apontou que 82% das empresas consultadas relataram redução na demanda por fretes relacionados às exportações após aumento das tarifas de importação dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. Além disso, o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), apontou o tarifaço como o principal causador da queda do volume exportados dos grãos em 2025.

Ainda nesse contexto, 53% dos executivos entrevistados na pesquisa da DP World esperam alta ou muito alta incerteza política em 2026.

No entanto, nem tudo está perdido: 96% dos líderes de logística acreditam que o comércio internacional crescerá em 2026. Os executivos de Supply Chain ainda apontam para Europa (22%) e China (17%) como os mercados com maior potencial de crescimento comercial em 2026.

E a pergunta que fica é: quais fatores levarão a essa alta?

MUDANÇAS ESTRATÉGICAS
Para o ano de 2026, os entrevistados apontas as mudanças estratégicas que planejam implementar. Mais da metade dos executivos (51%) apontou a diversificação de fornecedores. A segunda estratégia mais citada foi o aumento de estoques (44%), seguido por friendshoring (36%).

Além disso, a pesquisa relatou que a mudança de rotas comerciais também pode crescer em 2026. Pelo menos 26% dos executivos afirmam que pretendem começar a utilizar novas rotas no próximo ano, enquanto 23% dizem estar avaliando essa possibilidade.

De acordo com a pesquisa, 38% dos executivos apontam a redução de custos como o principal motivo para a mudança para uma rota específica e 36% buscam melhorar a conectividade de transporte e infraestrutura. Além disso, 35% procuram procedimentos aduaneiros e tempos de liberação mais eficientes.

O levantamento apontou que esse movimento reflete e reforça o crescimento contínuo de corredores comerciais alternativos, especialmente nos fluxos intra-Ásia e Ásia–África. Investimentos em portos, ferrovias e rodovias, combinados com novos acordos comerciais e aduaneiros, estão viabilizando futuras rotas alternativas.

A logística do Brasil está alinhada com esses objetivos também. Para esse ano, o Governo Federal apresentou um novo pacote ferroviário com a Política Nacional de Outorgas Ferroviárias e a carteira de projetos 2026 — juntos eles representam a maior agenda de investimentos em trilhos já estruturada no país.

O plano do Ministério dos Transportes prevê 8 leilões de ferrovias que abrangem mais de 9 mil quilômetros de extensão e devem atrair cerca de R$ 140 bilhões em investimentos, com projeção de R$600 bilhões injetados no sistema ferroviário.

No mesmo período, o Ministério de Portos e Aeroportos prevê 18 leilões portuários, quatro canais de acesso, cinco projetos de concessão de hidrovias e R$ 586 milhões destinados à infraestrutura hidroviária.

TECNOLOGIA NAS OPERAÇÕES
Ao serem questionados sobre os três principais setores para o crescimento do comércio mundial, 52% dos entrevistados responderam tecnologia. Esse percentual superou bens de consumo (45%), indústria (36%), automotivo (33%) e varejo (32%).

Além do crescimento do setor de tecnologia, as inovações farão parte dos planejamentos das operações. Segundo os executivos de logística, 94% das operações da cadeia de suprimentos estarão pelo menos parcialmente digitalizadas até o final de 2026.

De acordo com a pesquisa, as operações de produção e fábrica são as áreas em que a digitalização mais avançou, com 86% das empresas pelo menos parcialmente digitalizadas. A tecnologia já chegou no transporte e na gestão de frotas — cerca de 70% das organizações já iniciaram essa transformação, enquanto outros 23% planejam investir nessa área em breve.

Segundo o levantamento, o progresso nessa área oferece o potencial de tornar o comércio mais eficiente, facilita a entrada em novos mercados e ainda apoia a decisão de adotar novas rotas.

O “Infor Reports 2025 – Inovação na Logística 2025”, lançado pela Infor Brasil, também apontou que a maturidade tecnológica e transformação digital estão cada vez mais presentes na gestão das cadeias de suprimentos no Brasil.

Impulsionado pela adoção de tecnologias como WMS para automação de armazéns, gestão de força de trabalho e planejamento estratégico, o mercado global de logística digital deve crescer mais de 18% ao ano até 2030, segundo estimativas do Grand View Research.

Fonte: Mundo Logística / Foto: Divulgação 

sobre nós

Conheça a Fero Transportes.

(11) 4066-6215

A sua solução logística

recepcao@ferotransportes.com.br